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UMA ESTRELA SOBRE O TOPO DO MUNDO
Quero render homenagem a um dos
maiores heróis sobre o qual li e ouvi. Em 11 de janeiro deste
ano, morreu em Auckland, Nova Zelândia, aos 88 anos, Sir Edmund
Hillary, o humilde apicultor que, em 1953, tornou-se o primeiro
homem a – usando as palavras do próprio Sir Ed –
“domar o sacana” Everest, a maior montanha do planeta.
Hillary alcançou o topo do mundo, no Himalaia, ao lado do
sherpa Tenzing Norgay num dia 29 de maio. Nessa data, a mais importante
da história do alpinismo, os dois derrubaram o mito, professado
por alguns cientistas na época, de que jamais um ser humano
chegaria aos 8.850 metros do monte Everest. O feito coroou não
somente os membros da expedição da qual pertenciam,
comandada pelo coronel inglês John Hunt, mas também
todos os integrantes das catorze expedições anteriores
que haviam falhado na tentativa de escalar a montanha. Ed e Tenzing
tornaram realidade um dos mais antigos sonhos do Homem.
Após a extraordinária conquista, Edmund Hillary, que
nascera nos confins do império britânico (em Tuakau,
na Nova Zelândia), foi recebido por sua majestade, a rainha
Elizabeth II, e condecorado cavaleiro. Sir Ed ganhou fama e riqueza.
Teve a sua efígie estampada nas notas de cinco dólares
do seu país natal. Apesar de tamanho prestígio, nunca
deixou de ser uma pessoa simples, carismática e com um coração
tão grande quanto o monte que o elevou à altura de
gigantes como Shackleton, Amundsen e Livingstone. Maior do que a
coragem daquele autêntico quivi – apelido dos
neozelandeses –, que criava abelhas na juventude, era a sua
compaixão pelos mais necessitados, em especial, o povo sherpa
do Nepal.
A humanidade foi sua principal virtude. A primeira ministra da Nova
Zelândia, Helen Clark, ao anunciar o falecimento do alpinista,
disse: “Foi uma figura heróica que não só
conquistou o Everest, mas viveu com determinação,
humildade e generosidade.” Hillary dedicou sua vida a ajudar
os sherpas, angariando fundos e construindo escolas e hospitais
na região do Himalaia. A retribuição veio em
forma de admiração. Quem viaja pelo Nepal, hoje, em
cada casa, vê uma foto do rei nepalês e, ao lado, o
retrato de Sir Ed.
Incansável aventureiro, Hillary não se contentou em
“apenas” vencer o Everest. Ele escalou outras dez montanhas
da cordilheira do Himalaia, cruzou o continente antártico
num trenó, viajou ao Ártico num aeroplano junto do
astronauta Neil Armstrong e participou de uma busca ao Yeti, o abominável
homem das neves. Por tudo isso, devemos a ele, no mínimo,
um brinde em memória ao guerreiro que, em vida, foi. Sir
Edmund Percival Hillary! Descanse em paz. Seu nome brilha, agora,
mais alto do que, na Terra, você alcançou.

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